Portugueses estudam gelo da Antárctida

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Mensagem por Admin em Qui Jun 19, 2008 9:41 am

Investigadores portugueses instalaram debaixo do solo gelado da Antárctida duas "estações meteorológicas" para detectar a evolução do processo de alterações climáticas, a primeira campanha do género que se realiza com financiamento nacional.

Gonçalo Vieira, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa disse que um dos objectivos deste projecto, denominado Permadrill (Permafrost Drilling in the Maritime Antarctic), é a monitorização do solo permanentemente gelado (permafrost) e da parte superficial não gelada nas ilhas Livingston e Deception, Ilhas Shetland do Sul, próximas da Península da Antárctida.

A instalação e manutenção daquelas duas perfurações, de 20 a 25 metros de profundidade, que serão registadas com a designação de Gulbenkian 1 e Gulbenkian 2 no quadro da Global Terrestrial Network for Permafrost, vai permitir monitorizar as temperaturas do permafrost.

Em toda a Antárctida existem apenas outras quatro estruturas com a mesma profundidade, mas em outros locais, adianta o investigador.

Para Gonçalo Vieira, o estudo do permafrost é um dos meios mais seguros para detectar a evolução do processo de alterações climáticas, que é particularmente relevante numa zona do Planeta como a Antárctida, onde a temperatura média aumentou 2,5 graus centígrados no último meio século.

"Num solo gelado, as temperaturas que recolhemos são as de há cinco ou dez anos atrás, o que nos permite perceber o que tem mudado no clima. Por outro lado, no Árctico a matéria orgânica (que há no solo) vai derretendo, libertando metano e dióxido de carbono que não têm sido contabilizados para os modelos que prevêem o clima do futuro", adiantou o investigador.

Por esta razão, o solo permanentemente gelado é considerado fundamental para o ciclo do carbono e para o sistema climático, sendo também reconhecido como um elemento chave no funcionamento do sistema Terra, que deve ser tido como prioritário em termos de esforço de investigação.

Gonçalo Vieira diz que, comparado com o Árctico, pouco se sabe acerca das características do permafrost da Antárctida e que a principal razão para isso é a escassa rede de perfurações para monitorização do permafrost e da camada activa naquela região.

De acordo com o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, as últimas décadas têm sido marcadas por uma redução da extensão das regiões com permafrost e um aquecimento do solo.

O projecto PERMADRILL decorre nas ilhas Shetland do Sul, um arquipélago localizado próximo da Península Antárctica, e uma das regiões da Terra onde o aumento das temperaturas médias do ar tem sido mais acentuado.

Os trabalhos de campo centrar-se-ão nas ilhas Livingston e Deception, que apresentam condições climáticas semelhantes, mas características geológicas e geomorfológicas diferentes: a ilha Livingston é montanhosa e 90 por cento da sua área está coberta por glaciares e a ilha Deception é um vulcão activo e 60% da superfície está ocupada por glaciares.

Fonte: sic

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