Trabalhadores da Beiralã suspendem contratos

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eye Trabalhadores da Beiralã suspendem contratos

Mensagem por Admin em Ter Set 16, 2008 4:22 am

A ameaça do desemprego volta a assombrar mais uma empresa de Seia. Na passada segunda-feira, dia 8, a administração da Beiralã comunicou aos trabalhadores «não ter dinheiro para pagar o mês de Agosto e os seguintes a todos os trabalhadores», contou ao PE um funcionário da empresa fabril. Assim, e depois da realização de um plenário, cerca de 170 trabalhadores optaram pela suspensão do contrato de trabalho, o que lhes permitirá receber o subsídio de desemprego.
«Amanhã, dia 10 de Setembro, os trabalhadores da Beiralã já se encontram na suspensão por motivos de falta de pagamento», adiantou-nos na passada terça-feira Manuel Quirino. Este funcionário disse ainda que o objectivo da administração é o de que cerca de 30 pessoas se mantenham ao serviço e que até ao final do ano possam regressar mais 70. Receia, no entanto, que a empresa possa funcionar pelo menos mais dois ou três meses e que depois seja decretada a insolvência.
Os cerca de 208 trabalhadores receberam recentemente os ordenados do mês de Julho, pagos pela “Texwool”, da Covilhã, empresa que também «deverá pagar brevemente» o subsídio de férias em falta. Por outro lado, apesar de estarem na suspensão, «têm garantidas todas as regalias como se estivessem a trabalhar», continuando a auferir férias e o subsídio de Natal. Apenas o ordenado é que passa a ser liquidado através do subsídio de desemprego. Esta ligação permite-lhes ainda que se no futuro a empresa encerrar ou se forem despedidos «têm o direito à indemnização», disse ao PE o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Sector Têxtil da Beira Alta.
Carlos João ainda não tem conhecimento do número certo de trabalhadores que a empresa necessita nesta fase. «O que ontem [segunda-feira] ficou visto no plenário era ficar uma média de 30 a 50, mas ao certo ainda não sei», sublinhou o dirigente. «Sei que chamaram pessoas para ficar e que não quiseram, preferiram vir embora; mas também houve o contrário, porque as pessoas não são obrigadas a suspender os contratos».
Acreditando ainda na viabilidade da empresa, o Sindicato tem estado a acompanhar «quase silenciosamente» o problema «desde o ano passado», tendo preferido «não falar muito sobre este assunto», não para ajudar a administração mas, segundo explicou, na tentativa de ainda salvar a empresa. «Sinceramente ainda acredito que a empresa possa ser viabilizada e por isso mesmo é que nós temos feito todo este trabalho quase silenciosamente, embora os trabalhadores o saibam», refere o sindicalista.
Carlos João adianta também que perante a comunicação da administração da empresa, de que não haveria «possibilidades de se pagar o mês de Agosto e os meses futuros», só havia dois caminhos: «Ou estarem todos a trabalhar e não receberem e depois os trabalhadores serem obrigados a suspender ou a rescindir, ou então suspender de imediato, porque assim sempre têm a possibilidade de poderem receber o subsídio de desemprego». Afirma que perante isto o Sindicato «não podia fazer muito mais» e que os trabalhadores também não querem «correr o risco» de voltar ao tempo em que trabalharam oito meses sem receber «e assim têm a certeza de que recebem o subsídio de desemprego».
O dirigente considera que esta situação «é temporária» porque os trabalhadores apenas vão para a suspensão, não de desvinculando da empresa, e «até ao final do ano isto tem que estar resolvido». Carlos João disse ainda que «todos os meses há o compromisso de nos encontrarmos na empresa para fazer o ponto da situação», isto é, para que a administração «não pense que os trabalhadores vêm cá para fora e esqueceram o assunto». Se a ideia era essa, «podem tirar o cavalinho da chuva, porque isso não vai acontecer», salientou.
Manifestações não foram equacionadas
Os trabalhadores e o Sindicato preferiam estar a trabalhar, «só que nós aqui não podemos funcionar com o coração. Tem que se funcionar com a cabeça. E aquilo que neste momento se podia fazer está a ser feito, até porque também não quero que um dia se diga que os trabalhadores e o Sindicato é que foram responsáveis pela empresa ter encerrado. Não é que ela não possa encerrar, mas pelo menos não vamos dar esse trunfo a ninguém». «Até podia vir para a rua fazer manifestações como no passado, mas achamos que isso não resolve o problema neste momento», adiantando que «os problemas dos trabalhadores são resolvidos da maneira mais indicada na altura e a maneira mais indicada neste momento é a suspensão».
Carlos João salienta que até ao final do ano o Tribunal pode decretar a falência da Beiralã e, posteriormente, ser criada uma nova empresa. «Ao criar-se uma nova [empresa] temos a garantia de que poderão ser criados 100 postos de trabalho e o Sindicato não se pode dar ao luxo de sacrificar 100 postos de trabalho em Seia, porque estava a fazer um mau trabalho para os trabalhadores e para o Concelho de Seia». A propósito, o dirigente sindical sublinhou que «neste momento 100 postos de trabalho em Seia são mais importantes do que 1.000 em Lisboa ou no Porto».

Nova empresa poderá vir a criar 100 postos de trabalho
Quem também já comentou o assunto foi Eduardo Brito. O Presidente da Câmara Municipal de Seia não quis fazer muitos comentários à situação, mas lá foi dizendo que «globalmente as coisas não estão fáceis». Aponta como “culpado” a crise que o sector da fiação atravessa, factor que origina que a empresa «tenha problemas complicados do ponto de vista financeiro».
Salienta, igualmente, que estes problemas «já são mais antigos, mas têm-se agravado nos últimos meses, apesar do esforço muito grande da parte do senhor Rui Cardoso no sentido de conseguir cumprir com os salários dos trabalhadores».
O autarca considera que se chegou «a uma fase em que é preferível fazer-se mais qualquer coisa, que é reestruturar para se manter; e é isso que vai acontecer». Afirma que a Câmara Municipal está «a trabalhar» numa solução que permita a reestruturação da empresa e a manutenção, pelo menos, de «entre 100 a 120 postos de trabalho», para que a Beiralã «continue a ter do ponto de vista do emprego um papel muito importante no Concelho de Seia».
Apesar de ter procurado contactá-lo, ao PE não foi possível obter qualquer comentário sobre o assunto por parte de Rui Cardoso, administrador da Beiralã.

Empresa adquiriu a Fisel em 1997
Recorde-se que a Beiralã adquiriu, em 1997, a antiga Fisel. A compra do estabelecimento fabril, bem como dos equipamentos que o integravam, custou então 600 mil contos, verba que a Beiralã se comprometeu a liquidar num prazo de dez anos, dois dos quais de carência. Nesse mesmo ano iniciou um processo de renovação da unidade produtiva, em que terão sido investidos mais de 13 milhões de euros, investimento efectuado não só em maquinaria mas também no aumento de sistemas de controlo de qualidade e inovação de produtos.
Entretanto, e por muito tempo, a administração acusou o Governo socialista liderado por António Guterres de não cumprir o que prometeu, isto é, de não criar as condições para que a empresa revitalizasse a antiga Fisel. É que o Governo garantiu à empresa que assumiria o compromisso de manter os 342 trabalhadores no Centro de Emprego de Seia até que a empresa estivesse a funcionar a 100 por cento, mas esta acabou por ter que pagar os salários a estes trabalhadores e por ter que dar a pretendida formação, aspectos “esquecidos” pelo Governo. «O compromisso do Governo era manter os trabalhadores em formação no Centro de Emprego, enquanto nós estávamos no processo de modernização da empresa». «O que aconteceu foi que afinal os trabalhadores não tiveram qualquer tipo de formação e eu tive de suportar os salários durante os 18 meses de reestruturação da fábrica dos 342 trabalhadores sem fazerem rigorosamente nada», disse ao PE em ocasião passada o administrador da empresa.

Fonte: PE

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