«Não existem psicólogos suficientes para despistar situações de risco e intervir»

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humm «Não existem psicólogos suficientes para despistar situações de risco e intervir»

Mensagem por Admin em Seg Abr 06, 2009 11:20 am

Cristina Nunes.
Com a recordação do ataque de um jovem alemão a uma escola ainda bem vivo na memória, o Destak falou com uma psicóloga especializada em problemas infantis para tentar perceber se a situação vivida pelos germânicos pode acontecer em Portugal. Cristina Nunes aproveita ainda para enumerar uma série de sinais de alarme e chamar a atenção para a importância de uma avaliação precoce, capaz de identificar situações de risco e de evitar que se transformem em tragédias.

Carla Marina Mendes | cmendes@destak.pt

O caso do jovem que entrou a matar numa escola alemã poderá acontecer em Portugal?

Apesar de a notoriedade dada a estes fenómenos, eles, apesar de preocupantes e merecedores de uma reflexão, continuam a representar uma minoria. Infelizmente, estas situações dramáticas poderão ocorrer em qualquer parte do Mundo, incluindo Portugal, podendo acontecer em situações de surtos psicóticos agudos de pessoas desde sempre desequilibradas ou estranhas; com personalidade psicopata, descompensados ou em psicóticos crónicos. Como somos um país pequeno, em que, apesar de tudo, há comunicação entre as pessoas, julgo que a probabilidade será menor. De todo o modo, qualquer das situações poderiam ser prevenidas, se as pessoas mais próximas desses doentes pudessem partilhar o sentimento de que algo não está bem, com qualquer organismo de apoio e prevenção, se os houvesse.

São cada vez mais os alunos que agridem professores. Pode esta agressão ser o prenúncio de algo mais grave?

A violência na escola traduz-se numa grande diversidade de comportamentos anti-sociais que podem ser desencadeadas e/ou dirigidas quer por alunos, quer por outros elementos da comunidade escolar, sem contudo tomar as proporções patológicas de situações como a alemã. Não significa isto que esses fenómenos não tenham tendência a agravar, razão pela qual os agentes educativos se deverão concentrar na sua prevenção, não sendo provável que acabem numa situação tão disruptiva como as internacionalmente comentadas.

É possível criar um perfil do tipo de jovem que pode vir a ser autor de uma violência assim?

Não será possível indicar com segurança que tal pes-soa irá um dia ter um comportamento desta natureza. No entanto, podemos considerar que existem alguns factores de risco. Quanto às situações mais drásticas noticiadas, haverá seguramente um conjunto de factores que contribuem, para além daqueles que influenciam a violência nas escolas, como predisposição hereditária, acontecimentos "desencadeadores", interpretações bizarras ou delirantes, justificação psicótica para o suicídio, que seria impraticável sem "uma justificação", enfim, um sem-número de situações psicopatológicas.

Há sinais de alarme que podem ser identificados?

Todos os pais devem estar atentos ao comportamento dos filhos e não enterrar a cabeça na areia e, fazendo apelo ao senso comum, procurar intervenção quando algumas atitudes e comportamentos são "excessivamente excessivos", isto é, quando ultrapassam aquilo que é esperado no turbulento período adolescentil. Se o isolamento no quarto é quase permanente, se a comunicação é quase inexistente, se o grupo de amigos é estranho, se a conversa é desadequada e bizarra, se a exi-gência é desproporcionalmente maior que a resistência à frustração, se não sabem dizer não, se o sofrimento espelhado no rosto ou o alheamento são frequentes, se há suspeitas de consumos, é preciso estar alerta e em ligação permanente com os interventores na vida do filho: o director de turma como ligação à escola, os avós, a empregada, os amigos e familiares. Quando esta "equipa" se sentir impotente para conter toda a desorganização do jovem, então é preciso recorrer a ajuda especializada.

E é possível deter um jovem, como o alemão?

Na minha opinião, no momento em que se desencadeia essa cena final é praticamente impossível, pois ninguém espera um comportamento daqueles e o efeito surpresa não nos permite estar preparados.

Qual o papel das escolas no meio de tudo isto?

As escolas, enquanto agentes educativos, têm um papel tão importante como qualquer outro agente. Na minha opinião, não têm recursos suficientes para dar conta do universo actual de alunos e problemáticas, na medida em que não existem psicólogos suficientes para despistar situações de risco e intervir atempadamente. Penso que desde a pré-primária deveria existir um acompanhamento regular feito por psicólogos clínicos e psicoterapeutas, quer aos técnicos de educação, quer aos alunos.

Que tipo de apoio pode ser dado aos jovens mais agressivos?

Não pode haver uma resposta universal. Em termos gerais, poderíamos recomendar que, na medida do possível, os respeitássemos, compreendêssemos e responsabilizássemos. Mas quando se ultrapassam marcas da saúde mental é necessária a intervenção especializada.

fonte: Destak

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